Gender-bender em evidência na moda e no entretenimento

 Like

Gender-bender, além-gênero, em tradução livre, é o termo utilizado para pessoas transgêneras. De forma mais ampla, também é utilizado para designar o movimento de neutralização de gênero. Tornando mais fácil o entendimento, é quando se transpõem as barreiras sociais que envolvem os gêneros. Deixar pra lá isso de coisa de menina e coisa de menino, sabe?

Na moda, o gender-bender tem aparecido tanto nas criações, com a ruptura das formas tradicionais das roupas designadas para homens e mulheres, quanto na escolha de modelos transgêneros para os desfiles. Como a primeira coleção da Gucci assinada por Alessandro Michele, em que homens e mulheres desfilaram os mesmos tipos de roupas, e a modelo transexual Lea T, que é um dos ícones que marcaram o início do movimento gender-bender na área, além da top australiana Andreja Pejic.

gender-bender-gucci-we-fashion-you-1Coleção da Gucci assinada por Alessandro Michelegender-bender-lea-t-we-fashion-you-2Lea T por Terry Richardsongender-bender-andreja-pejic-we-fashion-you-2Andreja Pejic

No entretenimento, o gender-bender também está em evidência. Além do RuPaul’s Drag Race, a série Transparent também trouxe o assunto para um público mais amplo. A primeira temporada da série, que conta a história de uma família cujo pai depois dos 60 anos conta para os seus filhos que, na verdade, se entende mulher, foi um tremendo sucesso, tanto de audiência quanto em fomentar a discussão e ajudar na desmistificação do movimento gender-bender. A série mostra a assimilação do, até então, Mort de que é trans, o momento em que se assume Maura para a família e os preconceitos que existem da sociedade.

gender-bender-maura-transparent-we-fashion-youMaura, vivida por Jeffrey Tambor

Alerta: o próximo parágrafo contém spoilers!

Uma das cenas mais icônicas da primeira temporada de Transparent é a do banheiro. Maura, junto das filhas, vai ao toilet feminino e rola a maior questão por parte de umas mulheres sobre o fato de ela “ser homem”. Elas pedem que Maura se retire, ameaçam chamar o segurança, a acusam de pervertida e a ridicularizam. Eu acho a cena bem forte, talvez por ser algo tão corriqueiro e tão simbólico. Estão dizendo que Maura não pode entrar no clubinho e a colocam em uma espécie de limbo em que nunca será mulher o suficiente. No Brasil, a cartunista Laerte Coutinho passou por situação bastante semelhante, o que torna a cena ainda mais impactante só de imaginar que tantas mulheres e homens trans devem passar por isso diariamente.

Ponto para a moda e para o entretenimento por colocarem o gender-bender em evidência para um público maior. Citando o site A Gambiarra, “é papel da moda continuar a discutir e escancarar tabus para uma sociedade que aprendeu a separar, desde sempre, homem de mulher”.